Ter um filho com necessidades especiais: como enfrentar essa nova realidade?

O nascimento de um filho começa bem antes do parto. Ao ser confirmada a gravidez, os pais iniciam algumas indagações e fantasias de como será a criança, por exemplo: dúvidas quanto ao sexo, se menino ou menina, cor dos olhos, dos cabelos, com quem se parecerá fisicamente etc. Durante noves meses, pai e mãe vão construindo uma ideia do filho que irá nascer;, imagens procedentes de suas próprias identificações, aspirações, e frustrações.
E se ao nascer, surge uma criança muitas vezes diferente daquela imaginada? E, se esta diferença acontecer em relação à “normalidade”, quer seja física ou psíquica? O filho esperado é um real desconhecido.
Em geral, o encontro com uma criança com malformação, com deficiência intelectual, física ou sensorial (visual e auditiva), ou com danos neurológicos, não é um encontro, ao qual, os pais estejam preparados. Em muitos casos, eles têm a sensação de estarem frente a um estranho. Na data do nascimento ou quando descobrem a enfermidade, ao invés de ser um momento feliz e de comemoração, se torna um dia devastador e vem carregado de dúvidas, medo, tristeza etc.
Esse período é de fortes vivências emocionais tais como: alteração do estado de ânimo, desejo de morte para si e para o bebê, sensação de impotência, negação, tristeza e ansiedade. Depois poderá surgir a reorganização, ou seja, a aceitação, que demanda tempo, todavia muitos casais jamais elaborarão o luto pelo filho imaginado. Luto esse, necessário para a aceitação do filho real.
A maneira como os pais enfrentam a experiência de ter um filho portador de necessidades especiais depende também dos tipos de enfrentamento e dos mecanismos de defesa utilizados por eles para tornar suportáveis suas angústias. Ocorre um choque frente ao diagnóstico de uma criança especial, os pais buscam manter o controle, mas estão ansiosos e com temores. Vem a raiva ocasionada pela violação das expectativas, e toda essa frustração e repressão podem se transformar em depressão. Ao se culparem, os pais podem desenvolver comportamentos passivo-agressivo e de superproteção que podem comprometer a aprendizagem da criança durante o seu desenvolvimento. A duração dessas reações pode ser variada: para uns podem ser passageiras, para outros, duradouras ou permanentes.
Um mecanismo de defesa que pode surgir nos pais como uma forma de aliviarem sua dor e por não conseguirem aceitar a realidade, que desencadeia ansiedade, é a negação. A negação surge para ajudar o indivíduo a lidar com a perda, oferecendo um alívio temporário, mas não soluciona o problema.
A manutenção dessa defesa por um longo tempo pode prejudicar a tomada de decisões necessárias para o enfrentamento do problema. Pais que não conseguem enfrentar a situação, utilizando-se da negação por muito tempo, podem prejudicar o desenvolvimento da auto-imagem adequada e da auto-estima da criança, dificultando a superação de dificuldades concretas.

Mas como lidar com essa nova realidade? Aceitar depois de um período de luto e de reorganização interna, amar incondicionalmente aquele novo ser, permitir-se er amado por ele e enfrentar o medo, talvez seja, o melhor caminho. Não o mais fácil, mas o que irá levá-los a superarem os obstáculos que surgirão na difícil e prazerosa tarefa de educar um filho, tornando-se uma família única, facilitadora do crescimento saudável de sua criança, tenha ela necessidades especiais ou não.

Referências:
Manual de Legislação em Saúde da Pessoa Portadora de Deficiência. Ministério da Saúde, II Edição, Brasília, 2006.
http://sentidos.uol.com.br/canais/materiais.asp?codpag=7589&canal=educação, Deficiência Mental-definição e diagnóstico por Ida Janete Rodrigues, Psicóloga, psicopedagoga e Mestre em Distúrbios do Desenvolvimento. Acessado em 02.11.2012.

Manoela Emilia Lima Malta
Psicóloga
Especialista em Deficiência Mental e Auditiva